Hoje alegre, amanhã bem!

Adoraria comemorar minha nova idade com a alegria que sempre comemorei meus aniversários. Porém, esses últimos 50 dias tem sido demasiado pesados para mim. Primeiro perdi meu amigo, em 26 de maio e agora meu pai, em 05 de julho. Duas pancadas em menos de 2 meses, duas pancadas que pesam no peito todo santo dia, justamente nessa hora, bem antes de dormir.

Dia 30/06 foi só mais um dia na minha, não estava querendo e no fundo não queria comemorar nada, mas fiz por carinho a minha mãe que insistiu em fazer ao menos um bolo para família. Procurei motivos para comemorar meu niver, e mal sabia que em questão de dias eu não teria mais meu pai comigo.

Sexta-feira, 05/07/2019 foi um dia que eu vi – novamente – que a vida é um sopro. O espírito que nos fortalece é a nossa força vital mas a máquina que é o nosso corpo, falha. Meus pressentimentos desse dia eram os piores e mesmo com a esperança querendo gritar, o silêncio do medo falou mais alto. E as 21:00 daquele dia eu dei o último abraço no Dudu.

E foi ali, naquele exato momento que eu precisei ser forte. Eu estava ciente da morte do cara que me aguentou e me amou nos últimos 33 anos. Nosso relacionamento não era fácil, divergia em tantas coisas que mais parecíamos irmãos. É devastador ver uma pessoa que tão forte e cheia de alegria tão vulnerável. Quando brechei no biombo enquanto esperava o médico me dar o veredito eu vi que o meu pressentimento se realizará, até mesmo porque a família do meu pai sempre me avisa quando parte, e eu sinto um forte arrepio, com o Dudu não foi diferente. E ao invés de chorar eu escolhi respirar fundo, precisava avisar minha mãe e meu irmão do ocorrido. Precisava passar calma para que eles também tivessem calma para encarar o fato.

Parece frio quando falamos as coisas de forma racional, mas minha família só tinha a mim para resolver as coisas práticas, e cumpri minha última missão com meu pai. Ele que nunca demonstrava fraqueza, ele que eu nunca vi chorar, ele que me ensinou a ser sempre forte mesmo despedaçado, e a rir de quase tudo para que os momentos ruins não fossem tão pesados assim. “Hoje alegre, amanhã bem” era o mantra do meu pai que mesmo com medo de morrer foi forte até o fim. Acredito que é porque eu estava lá do lado dele, em oração. E todo o amor que quase nunca demonstrei, ele pode ver agora de onde ele me observa. Não chorei desesperadamente, apenas me emocionei quando fiz o último discurso antes do sepultamento. No fundo, a única coisa que eu queria para ele era que criasse juízo em relação a sua saúde. E tudo o que eu fiz, de ruim e de bom, foi para o bem dele. Ele deve ter ficado feliz com o carinho das pessoas que foram se despedir assim como eu fiquei em saber que mesmo doido do jeito que era, cativava as pessoas por onde passava.

Passado os momentos mais dolorosos o mais difícil é se conformar com a falta da presença física, da rotina, das manias da pessoa. A noite era a hora que eu esperava ele entrar em casa para fechar a casa antes de dormimos e é justamente nessa hora que a saudade aperta, a hora que a gente sempre bebia água na cozinha antes de dormir. Dói galera, dói. Então demonstrem amor todos os dias da sua vida pelos seus pais, irmãos e amigos, porque quando um deles vai embora antes do previsto a gente tem aquele conforto de que amou e fez de tudo por eles.

Descanse em Paz, papai! Te amo ❤

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